Mostrar mensagens com a etiqueta Compotas: uvada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Compotas: uvada. Mostrar todas as mensagens

22/09/15

UVADA - uma compota da Idade Média!

Acabada de fazer!

O melhor doce português de todos é uma compota feita só com fruta. Não leva um só grama de açúcar. (…)
É a uvada. Comê-la é voltar à meninice, ao prazer de enfiar um dedo desobediente numa tigela de marmelada recém-cozida e deixada ao sol a secar e trazer um pedacinho pegajoso para a boca. Sabe a antes de Afonso Henriques, a prazer antigo que o tempo deveria ter levado mas, por sorte, deixou.” (Miguel Esteves Cardoso).

Parece que a uvada já era feita na Idade Média. Sem açúcar nem canela, disponíveis apenas a partir do século XVI a preços elevadíssimos.
A receita que vos proponho, resultado de adaptações de algumas receitas antigas que fui consultando, é digna de ser degustada uma, outra e outra vez!

Ingredientes:
.2 litros de sumo (suco) de uvas (preferencialmente pretas)
.6 maçãs pequenas doces e perfumadas picadinhas sem pele nem sementes (usei bravo-de-esmolfe)
.3 paus de canela (opcional, mas ajudar a conservar)
.6 colheres de açúcar mascavado (dispensável se as uvas forem muito doces).

Preparação:
1. Num tacho antiaderente, deixe ferver o sumo em lume (fogo) baixo até reduzir para metade (cerca de uma hora)
2. Junte as maçãs, a canela e o açúcar e deixe apurar durante mais uma hora. Se necessário, junte água.
3. Coloque ainda quente em recipientes de vidro esterilizados.
4. Deixe arrefecer e tape os recipientes.
5. Guarde num sítio escuro e seco ou no frigorífico (geladeira), aumentando assim o prazo de validade.

Bom apetite!
ChefAntónio

Texto integral da excelente crónica de Miguel Esteves de Cardoso, publicada no jornal “Público”, em 2012:
O melhor doce português de todos é uma compota feita só com fruta. Não leva um só grama de açúcar. É verdade que está quase 20 horas ao lume e que tem um ingrediente secreto (uma fruta dificíl de encontrar), pelo que não apetecerá fazer em casa.
É a uvada. Comê-la é voltar à meninice, ao prazer de enfiar um dedo desobediente numa tigela de marmelada recém-cozida e deixada ao sol a secar e trazer um pedacinho pegajoso para a boca. Sabe a antes de Afonso Henriques, a prazer antigo que o tempo deveria ter levado mas, por sorte, deixou.
A uvada que conheço é feita pelos Doces d"Arada, na Quinta Margem d"Arada, em Olhalvo, perto de Alenquer. Têm um bom site mas não consegui falar com eles através dos números que lá constam.