07/10/15

Inauguração do novo compostor na horta!


Sob a orientação do meu vizinho e amigo Paulo (jardineiro), construí o compostor que está na imagem: 4 postes de 90cm (1,99€ cada no MaxMat), 3 metros de rede com 60cm de altura (5,90€) e 8 tábuas (com 1 metro de comprimento) que recolhi no lixo.
Deixei na parte aguçada do poste 30cm livres para enterrar no solo e dar mais estabilidade ao compostor.
Depois uma tarde de trabalho e uma martelada dada com convicção no polegar esquerdo, a obra estava concluída e foi inaugurada com pompa e circunstância!

VISITA GUIADA AO INTERIOR DA COMPOSTAGEM:
DEFINIÇÃO
A compostagem é um processo de valorização da matéria orgânica. Consiste na decomposição dos resíduos domésticos por ação de microrganismos que na presença de oxigénio (processo aeróbio), originam uma substância designada composto.
O composto que se obtém no fim do processo poderá ser utilizado como adubo, uma vez que melhora substancialmente a estrutura do solo. O composto possui fungicidas naturais e organismos benéficos que ajudam a eliminar os organismos patogénicos que perturbam o solo e as plantas.
A compostagem doméstica é um processo que não requer conhecimentos técnicos, é simples, é económica e ecologicamente sustentável, uma vez que implica a redução dos resíduos domésticos a enviar para o aterro sanitário, através da sua transformação num composto fertilizante que pode ser usado como nutriente e corretivo do solo nos jardins, hortas e quintais, bem como em vasos e floreiras.
QUE 
COMPOSTAR
Para que a compostagem decorra da melhor forma, é necessário ter
uma grande variedade de resíduos como:
.Restos de vegetais crus e cascas de frutas
.Borras de café, incluindo filtros
.Cascas de ovos esmagadas
.Folhas verdes
.Folhas e sacos de chá
.Ervas daninhas (sem sementes)
.Restos de relva cortada e flores
.Feno, palha, ervas secas e folhas secas
.Aparas de madeira e serraduras (sem verniz)
.Ramos pequenos
NÃO COMPOSTAR
-Carne, peixe, lacticínios, gorduras (queijo, manteiga, molhos) e derivados de trigo como massa, bolo e pão, pois a sua decomposição é muito lenta;
-Arroz (depois de cozido é um ótimo local para bactérias);
-Frutas cítricas (tanto a polpa quanto as cascas podem alterar o PH da terra);
-Alho e cebola (também causam alterações);
-Fezes de cães e gatos (podem conter microrganismos patogénicos que sobrevivam ao processo de compostagem);
-Resíduos vegetais tratados com pesticidas;
-Plantas doentes ou infestadas com insetos;
-Carvão ou cinzas de carvão (possui enxofre e ferro);
-Ervas daninhas com sementes;
-Maioria dos tipos de papel como revistas, jornais, papéis de impressão, envelopes, catálogos, por serem tratados com químicos que prejudicam o composto.
TÉCNICA:
1. No fundo do compostor, coloque ramos grossos para arejar e impedir a compactação.
2. Coloque alternadamente resíduos vegetais verdes e castanhos (cortados em pequenos pedaços).
3. De vez em quando, adicione no máximo uma mão cheia de terra ou composto acelerador; esta quantidade conterá microrganismos suficientes para iniciar o processo de compostagem (os próprios resíduos que adicionar também contêm microrganismos); note-se que grandes quantidades de terra adicionadas diminuem o volume útil do compostor e compactam os materiais, o que é indesejável.
4. Sendo necessário, regue ligeiramente o compostor só para manter o nível de humidade desejável.
5. O revolvimento da pilha de compostagem (com uma forquilha) é imprescindível para que a matéria orgânica seja decomposta num ambiente aeróbio e para misturar os diferentes materiais.
APLICAÇÃO DO COMPOSTO:
Quando o composto estiver pronto deve retirá-lo da pilha de compostagem. Pode usar um
crivo para separar o material que ainda não foi degradado. Deixe o composto repousar 2 a 4 semanas antes da sua aplicação, especialmente em plantas sensíveis. Esta fase de repouso é designada por fase de maturação.
Se tiver apenas uma pequena quantidade de composto, espalhe-o por cima da terra na vala onde pretende semear. Se tiver composto em grande quantidade, pode espalhá-lo em
camadas de 1 a 2 cm de espessura misturado com o solo, mas sem enterrar. Pode também
usar o composto nas caldeiras das árvores. Nesse caso, espalhe o composto em camadas de 2 cm à volta das árvores e não misture com o solo.
Se pretender usar o composto em plantas envasadas, não coloque mais do que 1/3 do
composto por vaso. Misture 1/3 de composto com 1/3 de terra e 1/3 de areia, para obter
um bom meio de crescimento para as suas plantas. A utilização do composto é aconselhada nos:
.Canteiros para a plantação de hortaliças e legumes;
.Caldeiras das árvores e junto a arbustos;
.Canteiros para flores, plantas decorativas e aromáticas;
.Vasos para flores e plantas de casa.
Lembre-se de que o composto aumenta capacidade de retenção dos nutrientes e da água,
favorece o arejamento do solo e melhora consequentemente a produção de culturas,
para além do facto da compostagem contribuir para diminuir os resíduos enviados para
aterro, assim como a necessidade do uso de fertilizantes químicos.
Fontes:

Abraço e boa compostagem para todos!

ChefAntónio

04/10/15

Maçãs camoesas assadas c/ vinho moscatel!


Depois de vos ter trazido ontem notícias da "3ª Mostra de Maçã Camoesa", apresento-vos uma receita de que me falou um produtor deste maravilhoso fruto. Sendo esta espécie de maçã doce mas também ligeiramente ácida com uma polpa que assa bem, ficando muito macia, mas sem desfazer completamente, o resultado só podia ser o que é: uma verdadeira iguaria!

Ingredientes:
.Maçãs comoesas (uma por pessoa)
.Açúcar mascavado (ou outro da sua preferência)
.Vinho moscatel

Preparação:
1. Lave as maçãs e com uma faca retire um pouco do centro em forma de cone invertido.
2. Polvilhe com uma pitada de açúcar e regue com o moscatel (um colher de sopa por maçã).
3. Deixe assar no forno a 200º até os frutos estarem bem macios (30 a 35 minutos).
4. Deixe arrefecer e delicie-se com este cocktail de antioxidantes e polifenóis.
Nota: Pode usar outras espécies de maçãs, mas não será a mesma coisa…

Abraço com aroma de maçãs camoesas!

ChefAntónio

03/10/15

Maçã camoesa - já Eça de Queirós a conhecia!


Decorre até ao fim da manhã de amanhã, domingo, 4/10, a 3ª Mostra da Maçã Camoesa ou Férrea da Azoia” na Moagem de Sampaio (concelho de Sesimbra).
A deliciosa maçã camoesa é uma variedade tradicional da região de Sesimbra produzida em Azoia (que fica no caminho para o cabo Espichel).
O aroma e a cor deste fruto pouco conhecido foram motivo de inspiração para Eça de Queirós.
Os seus miúdos olhos piscaram, lacrimejando de gosto – e seguiu pelo corredor, tesa e decidida com a sua trouxa que rescendia a maçã camoesa.” (“Ilustre Casa de Ramires”)
Mas quando nos apeámos no pequeno cais branco e fresco - só houve em torno de nós solidão e silêncio... Nem procurador, nem cavalos! O chefe da estação, a quem eu perguntara com ansiedade «se não aparecera ali o sr. Sousa, se não conhecia o sr. Sousa», tirou afavelmente o seu boné de galão. Era um moço gordo e redondo, com cores de maçã camoesa”. (Capítulo III do conto "Civilização")

Também João Maria Baptista, narra, no século XVIII, que chega “a todo o reino a fama dos bellos peros e camoezas e que os seus delicados pecegos egualmente merecem”.

Além do fruto, o público pode adquirir também outros produtos. Destaco os produtos hortícolas, a doçaria à base de maçã (há uns quadradinhos de farinha torrada com maçã que são uma perdição), o pão de Azoia (crosta estaladiça e miolo consistente a fazer lembrar o pão alentejano) e o queijo de Azoia (com um ligeiro travo e sabor entre o queijo da Serra e o queijo de Azeitão).
Pão e queijo de Azoia...

A maçã camoesa distingue-se pela mancha avermelhada na face de maior incidência do sol, sobre um fundo amarelo, e pela polpa ácida, de cor branca e consistência firme. Embora seja colhida em setembro, é comum ficar a amadurecer durante algumas semanas, para ser consumida durante o inverno.
Além desta particularidade, tem níveis de antioxidantes e polifenóis muito superiores aos das restantes, por isso é recomendada a doentes anémicos e diabéticos. Para divulgar esta variedade de Sesimbra junto do público em geral e despertar o interesse de novos agricultores, contribuindo assim para aumentar a sua produção de modo tradicional, a Câmara Municipal, em parceria com a Junta de Freguesia do Castelo e Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, realiza desde 2013, no primeiro fim de semana de outubro, uma mostra dedicada à Maçã Camoesa.
O certame tem atraído centenas de visitantes, revelando-se um enorme sucesso. O público demonstra cada vez mais interesse por este tipo de produto e, sobretudo pelo contacto direto com os produtores, que desta forma conseguem manter a sua atividade e, consequentemente, preservar tradições ancestrais, que são um património imaterial de valor incalculável.
Informações compiladas a partir do sítio da Câmara Municipal de Sintra.

Abraço com perfume de maçã camoesa!
ChefAntónio

Nota: Quem vem de Lisboa, segue a Nacional 10 em direção a Sesimbra. O edifício da Moagem de Sampaio fica (após passar a localidade da Maçã, depois dos semáforos, junto ao parque de campismo, à direita) mesmo junto à rotunda com uma estátua de um espadarte, à direita.

29/09/15

Há uma beterraba gigante na minha horta!


Já tinha apresentado aqui no blogue a pouco conhecida beterraba-amarela-gigante de Vauriac (AQUI). No momento da colheita, fui surpreendido com este magnífico exemplar com 1,850 kg (maior do que uma garrafa de vinho!). Muitas saladas e picles em perpetiva…

Abraço.
ChefAntónio


25/09/15

Compota de marmelo com pinhões e moscatel!

Delícia!

Eis a primeira a primeira novidade dos doces de outono: a acidez perfumada do marmelo deixa-se conquistar pela suavidade dos pinhões. A canela, romântica inveterada, abençoa o enlace. O palato, esse, desespera na antecipação do momento da memorável degustação…

Ingredientes:
.1 kg de marmelo (sem casca nem sementes)
.1/2 kg de açúcar (usei açúcar amarelo)
.2 paus de canela
.6 colheres de sopa de vinho moscatel (usei do de Azeitão)

Preparação:
1. Coza os marmelos (cortados em fatias) durante cerca de 25 minutos, retire-os da água e esmague-os em puré com um garfo.
2. Num tacho antiaderente, junte ao puré de marmelo o açúcar e a canela.
3. Deixe ferver durante cerca de 40 minutos em lume (fogo) baixo, mexendo de vez em quando. Se necessário, adicione água da cozedura do marmelo.
4. Junte o moscatel e os pinhões e deixe apurar mais 15 minutos, continuando a mexer com frequência.
5. Desligue o lume e coloque de imediato a compota em recipientes de vidro.
6. Deixe arrefecer, tape os recipientes e, considerando o corte efetuado no açúcar, guarde no frigorífico (geladeira).

Bom apetite!

ChefAntónio

22/09/15

Melão-dos-andes: o sabor exótico e muito delicado da vitamina C!

Uma das plantas cá de casa: viçosa e em plena produção!

1. Apresentação
Melão-andino, melão-dos-Andes, melão-de-árvore e pera-melão são nomes comuns da espécie Solanum muricatum, cujo fruto é comestível. A planta é um arbusto perene originário da região andina da América do Sul, onde é cultivada há milhares de anos. Nas línguas nativas da região de origem o fruto é conhecido por cachum ou xachum (em quechua) e por kachuma (em aimará).

2. Características
Apesar de existirem diversas variedades cultivadas da planta, o fruto é uma baga ovalada, semelhante a uma pequena papaia, com 10 a 15 cm de comprimento, de cor amarelo-clara a dourado, com estrias de cor púrpura quando madura. Tem sabor adocicado e aroma semelhante ao melão (daí o nome, apesar das plantas não serem aparentadas), muito refrescante dado o seu alto teor em água (92%). O fruto é rico em vitamina C, com um teor médio de 290 mg/kg.
O fruto é geralmente consumido em fresco, embora possa ser utilizado em saladas e para a confeção de sumos e de compotas.
O fruto é comercializado nos mercados do Peru e Chile, mas é pouco frequente em outras áreas do mundo por se deteriorar facilmente durante o transporte. Já se cultiva na Colômbia, na Florida, no sul de Espanha, em Portugal, na Suíça e na Nova Zelândia, estando em curso ensaios noutras regiões. É relativamente comum nas ilhas da Macaronésia, especialmente na Madeira e nas Canárias.

3. Cultivo
A planta propaga-se essencialmente por estacas, pois a semente germina mal e algumas variedades as plantas são estéreis, produzindo frutos desprovidos de pevide.
A planta é perene, mas a sua sensibilidade ao frio, parasitas e enfermidades obrigam a replantar a colheita em cada ano. Cresce em áreas costeiras livres de geadas e em regiões abrigadas de clima temperado. Pode ser cultivada em estufa, onde atinge os 2 m de altura e produz colheitas que podem ser 2 a 3 vezes maiores que quando cultivada ao ar livre.

4. História
A planta é cultivada há milhares de anos na região andina, estando representada em objetos de cerâmica das culturas pré-colombinas Moche, Chimú e Paracas.
Durante o período colonial, Melchor de Navarra, duque de la Palata, então vice-rei no Peru, proibiu o consumo desta fruta, dando-lhe o nome de mataserrano, nome pelo qual ainda é conhecida em certas regiões do Peru. Naquele período, a cultura foi introduzida no México e na América Central, mas o seu uso foi decrescendo.

UVADA - uma compota da Idade Média!

Acabada de fazer!

O melhor doce português de todos é uma compota feita só com fruta. Não leva um só grama de açúcar. (…)
É a uvada. Comê-la é voltar à meninice, ao prazer de enfiar um dedo desobediente numa tigela de marmelada recém-cozida e deixada ao sol a secar e trazer um pedacinho pegajoso para a boca. Sabe a antes de Afonso Henriques, a prazer antigo que o tempo deveria ter levado mas, por sorte, deixou.” (Miguel Esteves Cardoso).

Parece que a uvada já era feita na Idade Média. Sem açúcar nem canela, disponíveis apenas a partir do século XVI a preços elevadíssimos.
A receita que vos proponho, resultado de adaptações de algumas receitas antigas que fui consultando, é digna de ser degustada uma, outra e outra vez!

Ingredientes:
.2 litros de sumo (suco) de uvas (preferencialmente pretas)
.6 maçãs pequenas doces e perfumadas picadinhas sem pele nem sementes (usei bravo-de-esmolfe)
.3 paus de canela (opcional, mas ajudar a conservar)
.6 colheres de açúcar mascavado (dispensável se as uvas forem muito doces).

Preparação:
1. Num tacho antiaderente, deixe ferver o sumo em lume (fogo) baixo até reduzir para metade (cerca de uma hora)
2. Junte as maçãs, a canela e o açúcar e deixe apurar durante mais uma hora. Se necessário, junte água.
3. Coloque ainda quente em recipientes de vidro esterilizados.
4. Deixe arrefecer e tape os recipientes.
5. Guarde num sítio escuro e seco ou no frigorífico (geladeira), aumentando assim o prazo de validade.

Bom apetite!
ChefAntónio

Texto integral da excelente crónica de Miguel Esteves de Cardoso, publicada no jornal “Público”, em 2012:
O melhor doce português de todos é uma compota feita só com fruta. Não leva um só grama de açúcar. É verdade que está quase 20 horas ao lume e que tem um ingrediente secreto (uma fruta dificíl de encontrar), pelo que não apetecerá fazer em casa.
É a uvada. Comê-la é voltar à meninice, ao prazer de enfiar um dedo desobediente numa tigela de marmelada recém-cozida e deixada ao sol a secar e trazer um pedacinho pegajoso para a boca. Sabe a antes de Afonso Henriques, a prazer antigo que o tempo deveria ter levado mas, por sorte, deixou.
A uvada que conheço é feita pelos Doces d"Arada, na Quinta Margem d"Arada, em Olhalvo, perto de Alenquer. Têm um bom site mas não consegui falar com eles através dos números que lá constam.