20/04/16

O milagre do sol nas minhas nêsperas!


Diz Fernando Pessoa que “o melhor do melhor do mundo são as crianças, / Flores, música, o luar, e o sol, que peca / Só quando, em vez de criar, seca.
Foi o sol desta última semana que operou o milagre nas nêsperas cá da horta. De pálidas e ácidas (excelentes para compotas) passaram a douradas e doces. Já tinha perdido a esperança, pois, sendo frutos não climatéricos, depois de colhidas, as nêsperas não amadurecem mais. Todo o processo se completa na árvore, ao contrário dos frutos climatéricos (como a banana), que continuam a amadurecer mesmo depois de colhidos.
As diversas espécies que fui plantando na última década dão frutos que variam na cor, na textura, no sabor e até na resistência às doenças. Como luzes de ouro, seduzem os olhos e iluminam a alma….


Abraço doce como nêsperas bem maduras!
ChefAntónio

16/04/16

Capuchinhos da horta!

Difícil mesmo é parar de comer o petisco… Leve, crocante, uma guloseima. Quando o invólucro do polme se quebra na boca, a essência da flor de nastúrcio liberta-se numa festa de texturas, aromas e sabores!

Matéria-prima: botões de capuchinha prestes a florir.

Já publiquei aqui alguns artigos sobre o nastúrcio. Nastúrcio é a designação mais clássica, mas em Portugal o nome mais conhecido é capuchinha, pela forma da flor a fazer lembrar um capucho (variante regional de capuz).
Cultivada em Versailles, no século XVII, o jardineiro la Quintanie fala, nas suas anotações, do consumo dos botões da planta antes de florirem confitados em vinagre. Tenho a certeza de que a receita de hoje faria as delícias de Luís XIV! Há registos escritos desde a Idade Média da famosa receita de “peixinhos da horta”, que terá sido levada para o Japão pelos portugueses na época dos descobrimentos. Adaptei-a et voilà!

Ingredientes:
.polme para fritar (100g de farinha, 1 ovo, água, 1 pitada de sal e outra de pimenta moída no momento)
.botões de capuchinha prestes a florir (10 por pessoa)
.azeite

Preparação:
1. Para fazer o polme, misture a farinha (com fermento) com o ovo e 3 colheres de sopa de água e misture bem até ficar cremoso e com uma consistência semelhante à da maionese. Sendo necessário, acrescente mais água. Junte o sal e a pimenta e envolve muito bem.

2. Mergulhe cada botão no polme e coloque-o na frigideira quando o azeite estiver quente em lume médio-alto. Deixe dourar (cerca de 1 minuto de cada lado) e coloque sobre papel absorvente.
3. Sirva de imediato!
4. Se não tem botões de capuchinha, pode utilizar flores de amor-perfeito ou fazer os tradicionais peixinhos da horta com feijão-verde. Corte as pontas do feijão e coza-o em água e sal durante 8 a 10 minutos. Passe-o no polme e frite.

Abraço.

ChefAntónio

15/04/16

Cá em casa, dia de chuva é só vantagens!

Na horta, as beterrabas-amarelas deliciam-se com a chuva!

Com a Arrábida à vista, vivo numa zona recôndita de Brejos de Azeitão. Na frente da casa, a última rua da civilização; na parte de trás, depois da horta, prados, algumas hortas e a floresta. Aqui, a chuva é uma generosa dádiva de São Pedro com múltiplas vantagens: 
.entranha-se nas árvores e as plantas, poupando-me pelo menos uma hora de trabalho a regar; 
.abastece-me o poço com a água que se infiltra mas também com um sistema de encaminhamento das águas pluviais, funcionando também como cisterna; 
.estimula o crescimento de rebentos tenros dos espargos-selvagens; 
.leva  os caracóis e caracoletas a saírem dos seus esconderijos em plena luz do dia, facilitando-me a tarefa de os apanhar na horta e no exterior. São uma excelente proteína para complementar a alimentação dos meus patos, reduzindo a despesa com trigo e milho.

Hoje, logo a seguir ao almoço, equipei-me para a aventura: botas de borracha, chapéu impermeável, guarda-chuva e dois sacos de plástico. Durante duas horas, entre chuvadas, não tive mãos a medir.


Por um lado, a emoção primitiva da recoleção de espargos que, depois de secos e acondicionados, foram congelados para um creme de espargos com coentros.

Por outro, a adrenalina da caça ao gastrópede.

As previsões meteorológicas parecem propícias para mais aventuras amanhã!
Abraço.

ChefAntónio

14/04/16

Espinafres na frigideira c/ queijo fresco!

Que tal?

Este é um daqueles pratos a que não falta nada: saudável, económico, rápido e muito fácil de preparar. Uma festa de cores, aromas e sabores!

Ingredientes para 4 doses:
.400 g de espinafres cortados em pedaços grandes
.2 dentes de alho esmagados em puré
.1 cebola grande picadinha
.queijo fresco com consistência firme (cerca de 200 g)
.azeite virgem (3 colheres de sopa)
.cominhos em pó (1 colher de chá)
.1 pitada de sal

Preparação:
1. Aqueça o azeite com os alhos e a cebola numa frigideira antiaderente e deixe estufar durante 3 minutos.
2. Junte os espinafres, tempere com os cominhos e o sal e deixe apurar em lume baixo durante cerca de 5 minutos.
3. Corte o queijo em cubos, acrescente-os aos espinafres e mexa com cuidado para passar os sabores para o queijo sem o esfarelar.
4. Passado 1 minuto, desligue o lume e sirva de imediato.

Bom apetite!

ChefAntónio

09/04/16

Colheita de flores de laranjeira para chá!

Método estranho? Talvez, mas muito eficaz!

Com a floração das cinco laranjeiras cá da horta no auge, é esta a época de aproveitar as flores que vão caindo. Para a recolha, além de telas de sombra, recorro a um velho guarda-chuva e ao guarda-sol que usamos na praia. Colocados ao contrário, funcionam na perfeição nesta sua inusitada função.

Após a recolha, as flores são postas a secar num sítio quente (mas não diretamente ao sol), recorrendo a tabuleiros caseiros feitos com caixas de fruta e rede mosquiteira.
Antes...
E depois!

Após alguns dias de secagem, é só guardar em frascos de vidro bem fechados e guardados num lugar seco. Mantêm-se durante mais de um ano em perfeito estado de conservação.

Brindo à vossa com uma infusão de flor de laranjeira bem aromática e adoçada com mel!
ChefAntónio

08/04/16

Vegetais em crosta de sal c/ molho de manjericão!


Conheço muitas receitas com vegetais, mas a que vos trago hoje é uma descoberta recente. Vi esta forma de confecionar (que já conhecia com peixe de frango) no 24Kitchen. Depois de uma pesquisa na internet, compus a delícia de hoje. Ao contrário do que possa parecer, os vegetais não ficam salgados. A crosta de sal isola-os, criando um efeito de estufa, permitindo que fiquem no ponto com os seus próprios sucos, o que lhes dá um sabor único. O nabo fica uma iguaria! É um prato económico, pouco trabalhoso e muito saudável.


INGREDIENTES:
.Nabo, batata-doce, batata, beterraba, bolbo de funcho.
.1 kg de sal marinho
.2 claras
.azeite virgem extra
.manjericão
.tomilho-limão fresco

PREPARAÇÃO:
1. Bata as claras em castelo durante cerca de 5 minutos com um garfo e junte-lhes o sal a pouco e pouco, envolvendo muito bem.
2. Coloque um camadinha de sal no fundo de um tabuleiro e sobre ela os vegetais com a pele e previamente passados por água.
3. Cubra totalmente os vegetais e leve-os ao forno (previamente aquecido) a 220 graus durante 1h15.

4. Passado o tempo, retire do forno e quebre a crosta de sal para retirar os vegetais.

5. Tire-lhes a pele (sai com facilidade) e corte em pedaços.
6. Sirva de imediato com um molho de azeite com manjericão e tomilho-limão.
Nota: Também pode optar por cenoura, cebola, rabanete, rábano, etc. No entanto, vegetais com elevada percentagem de água (como curgete e tomate) são de evitar.

Abraço e bons vegetais  para todos!

ChefAntónio

06/04/16

Os meus nastúrcios exibem flores a prometerem… receitas saborosas!

A natureza no seu melhor!

O nastúrcio (mais conhecido em Portugal como capuchinha) é uma planta originária da América do Sul e introduzida na Europa em 1684. Em França, a planta foi desde sempre utilizada na culinária, sendo na atualidade cultivada para esse efeito. É uma das flores (e folhas) mais utilizadas nos restaurantes finos, sobretudo em saladas.
No século XVII, La Quintinie, advogado, jardineiro e agrónomo francês, criador do “Potager du roi” (Horta do rei), em Versalhes, inclui o nastúrcio na lista das plantas cultivadas para o rei Luís IV. Nos comentários à planta, refere diferentes designações, descreve as suas características e diz que o botão, colhido antes de florir, é bom conservado em vinagre.
Cá na horta, tenho plantas com flores amarelas e cor de laranja, mas há muitas mais, desde o branco ao vermelho.
A maior parte das pessoas com quem tenho falado mostra-se renitente à ideia de consumir a planta. Se é o seu caso, veja o que está a perder:
1. Não é exigente em relação ao solo e resistente a parasitas, o que significa que se desenvolve bem sem adubos nem pesticidas. Um verdadeiro ex-libris de cultura biológica!
2. Os constituintes da planta mostram o seu interesse gastronómico: entre outros, flavonoides, vitamina C e ferro.
3. Os especialistas reconhecem-lhe também propriedades digestivas.
4. Quanto ao sabor, terá uma agradável surpresa: as flores (com um aroma muito agradável e adocicado) e as folhas têm um sabor ligeiramente picante a agrião. Por essa razão, é conhecida também como agrião-grande-do-méxico, agrião-do-peru e agrião-da-índia.

Principais usos culinários:
1. Botões antes de florirem:
Conserva em vinagre (uma espécie de picles).
2. Flores
Em saladas e omeletas (uma delícia!)-
3. Folhas:
a) As mais tenras dão sabor às saladas e podem ser recheadas com patês, salmão fumado, atum em conserva, etc.; 
b) As mais antigas são ótimas na sopa.
4. Sementes ainda verdes
Podem ser usadas como alcaparras.

Bom apetite!
ChefAntónio