29/08/16

Voluntário na Guiné-Bissau 4: cores em movimento!


Hoje, não há sol nem chuva, mas faz-se sentir ainda mais o quente abafado do clima. Quando chove (o que tem acontecido apenas durante a noite), tudo fica mais limpo e o ar menos pesado.
Contrariamente ao que me tinham dito, até ao momento, a convivência com os mosquitos tem sido muito pacífica. O mesmo não se pode dizer do calor e da humidade. Começam a aparecer vermelhidões e assaduras (algumas em sítios pouco convenientes…) e os pés vão ficando gretados. Está na altura de entrarem em ação os cremes, loções e mezinhas que a minha dama insistiu em enfiar-me na mala.
Da pobreza e das más condições de vida da população, falarei noutra altura. Hoje, gostaria de destacar a simpatia e o sorriso fácil das pessoas. Essa alegria emana do colorido do vestuário que circula na cidade como uma paleta de cores em movimento que, com o passar dos dias, se vai fixando na tela da minha memória.

Agora, vou tratar das mazelas do corpo, já que o ânimo, esse,  continua em alta!
Abraço.
António

28/08/16

Voluntário na Guiné 3: pequenas coisas...

Rãs e relas num frenesim reprodutivo!

Esta madrugada, ainda não eram 6 horas (uma hora menos do que em Portugal), acordei com o estrondo de uma trovoada e forte chuvada a cair no parque de estacionamento do bairro onde estou alojado em Bissau. Logo após a chuva, entraram em cena as rãs e as relas num sonoro e contínuo coaxar de chamamento tendo em vista o aproveitamento das condições atmosféricas favoráveis ao acasalamento e reprodução. Fui espreitar e tive ao vivo uma banda sonora inesquecível: um momento digno do National Geographic!
Numa próxima, conto a interessante incursão realizada durante a manhã para o norte de Bissau até Cumeré.

Segue o meu abraço.
António




26/08/16

Voluntário na Guiné-Bissau 2


Depois da apresentação ontem, começou hoje o curso intensivo de língua portuguesa  com 17 jovens, estando previsto que mais dois se juntem ao grupo na próxima segunda-feira.
As sessões têm lugar no Centro Cultural Português do Instituto Camões. O tal manto de calor húmido de que falei ontem, e que me segue para todo o lado, instala-se na sala, cola-se à pele e não dá descanso durante as quatro horas da aula…
Pelo estado das estradas, “devido à muita chuva”, como diria Fernão Lopes, viajar através da Guiné é complicado. Com uns conhecimentos do amigo (também voluntário) que me acompanha na missão, talvez dê para conhecer algum local interessante nos arredores de Bissau durante o fim de semana.

Depois, conto! ;)
Abraço

25/08/16

Voluntário na Guiné-Bissau 1

Do céu, surpreendi o rio Geba a deslizar para o mar como uma serpente gigante...


No âmbito de um projeto conjunto entre o Instituto Camões e a Fundação Calouste Gulbenkian, depois do sul de S. Tomé e Príncipe em 2014, estou em nova missão, agora em Bissau. É aqui se inicia hoje a formação “100 horas de língua portuguesa”, até 27 de setembro, para cerca de 20 jovens guineenses que irão estudar em Portugal em licenciaturas e mestrados com bolsas das instituições acima referidas.
Depois de uma viagem tranquila (se bem que, para mim, viajar de avião é sempre um pouco inquietante…) de cerca de 4 horas, aterrei em Bissau. Mal pus o pé fora do avião, uma massa de ar quente engoliu-me como um manto pesado e húmido. Depois, destilei literalmente no jipe-sauna em que ocorreu o percurso entre o aeroporto e o Bairro da Cooperação Portuguesa, onde estou alojado.
Adivinham-se lutas intensas, corpo a corpo, com as chuvas torrenciais próprias da época e a mosquitagem implacável, mas não há de ser nada.

Continuarei a dar notícias.


Abraço luso-guineense.




02/07/16

Migas de pimento vermelho assado!


Numa reportagem na televisão, ouvi falar deste prato servido no restaurante Gilão, em Tavira. A receita não foi dada, mas partindo da experiência na confeção de outros tipos de migas, resolvi recriá-la. A fazer fé nas opiniões cá em casa, parece que a coisa correu bem. A receita é muito saborosa e mais leve do que as migas tradicionais. É uma excelente entrada. Também pode prato único: simples (pois já tem o chouriço) ou a acompanhar uma carne frita ou assada no forno.

Ingredientes para 4 pessoas:
.3 pimentos vermelhos grandes assados (sem pele nem sementes)
.4 papo-secos postos de molho e escorridos.
.4 dentes de alhos esmagados em puré
.40 g de chouriço de carne com pouca gordura cortado em fatias muito finas (cerca de 14 fatias)
.pimenta-preta (moída no momento), colorau e sal

Preparação:
1. Numa frigideira grande anti-aderente, junte as rodelas de chouriço ao azeite já quente durante cerca de 3 minutos em lume médio-alto, mexendo com frequência.
2. Junte os alhos e deixe apurar 1 minuto, continuando a mexer.
4. Ponha os pimentos cortados às tiras finas e deixe cozinhar mais 2 minutos.
5. Acrescente o pão e os temperos: sal (com moderação), pimenta e colorau.
6. Envolva bem os ingredientes e deixe apurar em lume até ter a consistência desejada (cerca de 5 minutos).
7. Retifique os temperos e sirva de imediato.

Bom apetite!

ChefAntónio

26/06/16

Delícia de cebola-roxa aninhada no pão!


Eis um petisco que resulta da adaptação (muito simplificada) de uma receita que vi um chefe francês fazer num programa de televisão.
A cebola-roxa, além dos nutrientes que todas as cebolas têm (cálcio, fósforo, magnésio, ferro, potássio, zinco, cobre, manganês, vitaminas do complexo B  e vitamina C), possui, devido à sua coloração, uma substância altamente antioxidante: a antocianina.
Aproveitando as primeiras cebolas-roxas disponíveis na horta, parti para esta aventura gourmet. Quanto ao resultado, uma delícia, uma verdadeira guloseima!

Ingredientes para 4 pessoas:
.4 cebolas médias partidas e cortadas muito finamente
.4 fatias de pão fresco e estaladiço (ou torrado)
.azeite virgem (3 colheres de sopa)
.pimenta-preta moída no momento
.cominhos moídos
.vinho do Porto (3 colheres de sopa)
.vinagre balsâmico (1 colher de sopa)
.água (2 colheres de sopa)

Preparação:
1. Coloque a cebola numa frigideira antiaderente com o azeite (já quente) e uma pitada de sal, outra de pimenta e mais uma de cominhos.
2. Deixe apurar em lume médio-baixo, mexendo com frequência, até começar a querer caramelizar (cerca de 10 minutos).
3. Junte o vinho do Porto, o vinagre e a água.
4. Mexa bem e deixe apurar durante cerca de 5 minutos, juntando água se ficar seco.
5. Coloque a cebola carinhosamente sobre as fatias de pão, regue com o molho e resista à tentação de as devorar de imediato…
6. Sirva com uma salada. Sugestão: tomate bem maduro temperado com orégãos e azeite virgem extra. Sempre sem vinagre.
7. Agora sim, ceda ao pecado da gula!

Abraço.

ChefAntónio

14/06/16

1º mamífero extinto devido ao aquecimento global...


A primeira espécie de mamífero extinta devido ao aquecimento global é um roedor australiano de uma ilha que ficou quase submersa, indica um estudo científico divulgado hoje.

O único habitat conhecido do pequeno roedor da espécie 'Melomys rubicola' é a ilha de Bramble Cay, no Estreito de Torres - que separa a Austrália da Papua-Nova Guiné -, mas cientistas não encontraram nenhum exemplar da espécie depois de terem feito pesquisas no que resta da ilha.
A submersão quase total da ilha e a perda de habitat dos roedores, são "muito provavelmente" a explicação para este desaparecimento, afirmam os autores do estudo realizado pelo departamento de Ambiente da Universidade de Queensland.
Os dados existentes do aumento do nível das águas e os fenómenos climáticos no Estreito de Torres sugerem que "as alterações climáticas provocadas pelo Homem (são) a causa profunda do desaparecimento do roedor de Bramble Cay", refere o estudo.
O 'Melomys rubicola' foi considerado o único mamífero autóctone das ilhas da grande barreira de coral. Foi descoberto em 1845, mas nenhum exemplar desse roedor é visto desde 2009.
Em 2014, os cientistas decidiram lançar pesquisas importantes na esperança de preservar a espécie. Foram utilizadas armadilhas e câmaras, mas nenhum roedor foi visto, "o que confirma que a única população conhecida deste roedor foi extinta", lê-se no estudo.
Em 2015, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) atribuiu especialmente às alterações climáticas o desaparecimento do 'Geocapromys thoracatus' -- ou Rato de Little Sawn Island -- um roedor de uma ilha de coral das Honduras. No entanto, verificou-se que um gato introduzido na ilha foi o principal responsável pelo desaparecimento.

"Consequentemente, a conclusão é que a extinção do 'melomys' de Bramble Cay se deve ao aumento do nível do mar e à maior incidência de eventos meteorológicos extremos nos últimos anos (...) constituindo provavelmente a primeira extinção documentada de mamíferos devido (ou essencialmente) à alteração climática antropogénica", segundo o mesmo estudo.

Data: 14.06.2016
Fonte: http://www.jn.pt/mundo/interior/este-e-o-primeiro-mamifero-extindo-devido-ao-aquecimento-gobal-5227197.html