25/11/16

Salva: a planta que "salva"!


Como prometido, aquando da publicação da receita com folhas de salva (“linguadinhos da horta”: AQUI), partilho hoje este excelente artigo de Berta Gonçalves, Engenheira Agrícola e da Associação Portuguesa de Horticultura (APH), que encontrei no jornal Público. São particularmente interessantes as propriedades digestivas da planta.

A planta que "salva"

Usada desde tempos imemoriais, esta planta tem diversas propriedades medicinais - "Quem salva tiver só tem mal se quiser", diz o ditado popular. Para além disso, tem valor ornamental e aplicação culinária. Toca a plantá-la no jardim.
A palavra salva deriva do latim salvia, que significa "curar", e o provérbio popular "Quem salva tiver só tem mal se quiser" demonstra bem o valor medicinal atribuído a esta planta, cuja utilização tem sido recomendada desde a antiguidade no combate a quase todas as enfermidades. De facto, apresenta efeito antimicrobiano, anti-espasmódico, anti-inflamatório e hipoglicémico. Desde tempos imemoriais que a salva é usada para afugentar o mal, para tratar mordeduras de cobra e aumentar a fertilidade feminina.
As propriedades medicinais desta planta são, portanto, várias e provêm essencialmente dos compostos fenólicos e dos óleos essenciais produzidos nas folhas. Esta planta também tem interesse na culinária, perfumaria, cosmética e como ornamental. Como planta aromática, a salva tem um sabor levemente apimentado e tem vindo a ser utilizada em todo o mundo para temperar carnes, sopas, salsichas, queijos e algumas bebidas.

A planta
A salva (Salvia officinalis L.) pertence à família das mentas, Lamiáceas, e é originária da região mediterrânica oriental. Por vezes encontra-se como subespontânea em Portugal. É um subarbusto perene, com cerca de 60cm de altura e diâmetro, com caules lenhosos, folhas acinzentadas com superfície um tanto rugosa e flores azuis a violáceas. A sua folhagem persistente é muito bonita e fortemente perfumada, revelando-se fundamental num jardim para quem quiser tirar partido das suas propriedades medicinais e culinárias. É interessante usá-la também em canteiros ou hortas, misturada com outras plantas.

Como plantar?
Escolha um local com boa exposição solar e um solo franco-arenoso, bem drenado, neutro ou alcalino para fazer a sementeira no início da Primavera. As jovens plantas surgem normalmente ao fim de duas a três semanas e a floração ocorre entre Maio e Julho. Guarde cerca de 30 a 40cm de espaçamento entre as plantas.
A estacaria também é uma opção viável durante todo o ano. Tenha, no entanto, em atenção que não se adapta tão bem ao cultivo em vasos pequenos, perecendo com facilidade. É, contudo, uma excelente escolha para jardins de baixa manutenção, uma vez que tolera bem a secura. É também bastante resistente à geada. Na horta, em associação com outras espécies, afasta uma série de pragas, entre as quais a borboleta-branca da couve.

Cuidados de manutenção
A salva precisa de ser podada ao longo do ano de forma a prevenir o envelhecimento precoce e a estimular novos rebentos. Tem tendência a degenerar com a idade, devendo, por esta razão, ser substituída no jardim ao fim de três ou quatro anos.
É de evitar o excesso de água no solo, uma vez que as suas raizes tendem a apodrecer rapidamente, levando à morte súbita da planta. Em situações de stress, torna-se sensível a pragas, como as cochonilhas, que podem ser removidas com a poda intensa da planta.
A colheita de folhas e das sumidades floridas só deverá iniciar-se no segundo ano de floração e, de preferência, no período da tarde.

Dicas
1. Use a cataplasma de folhas frescas em feridas. O gargarejo em caso de amigdalite ou laringite. Adicionalmente, bochechar água onde previamente esteve imerso um punhado de flores e folhas também é útil para curar aftas e estomatites.
2. A infusão a 5%, após a lavagem do cabelo, combate os cabelos oleosos e restaura a sua cor natural.
3. Neste Verão se por acaso tiver o infortúnio de fazer uma queimadura solar, a salva é refrescante, aliviando a sensação de ardor.
4. Por fim, use as folhas da salva em saladas, pão ou guisados. Para além da refeição ser mais saborosa, facilita bastante a digestão. Bom proveito!

23/11/16

Linguadinhos da horta!

Ó pra eles, quentinhos e prontos a comer!

O título é meu, mas a receita foi-me sugerida por um amigo internáutico brasileiro. Um petisco delicioso!
A salva (ou sálvia, como se designa no Brasil) era uma erva importante na cozinha da Idade Média, sobretudo no tempero da carne de aves e porco. O seu cultivo traz uma vantagem adicional: plantada (ou semeada) junto às hortaliças, afasta as borboletas, evitando que deixem os ovos (futuras lagartas) nas folhas.
Amanhã, publicarei aqui um interessante artigo sobre a planta que encontrei no Público.
Passemos, sem mais demora, à receita.

Ingredientes:
.Folhas de salva frescas (6 a 8 por pessoa)
.Azeite
.Polme : juntar farinha (c/ fermento), um ovo, água, cominhos em pó e pimenta-preta e misturar muito bem. Sendo necessário, junte mais água até obter um preparado com uma consistência semelhante à maionese)

As folhas na horta, lindas!

Preparação:
1. Coloque o azeite numa frigideira antiaderente e deixe aquecer.
2. Mergulhe as folhas no polme e leve-as a fritar cerca de um minuto de cada lado.
3. Retire-as do azeite e coloque sobre papel absorvente e salpique com uma minipitada de sal.
4. Servir de imediato, para que não arrefeçam.
Nota: Com um arroz de cogumelos e coentros, pode ser um jantar vegetariano diferente.
Bom apetite!


ChefAntónio

14/11/16

Guia para ver a superlua de hoje!

Guia para ver a Superlua de hoje
O astrofísico e diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, Rui Agostinho, explica o fenómeno da Superlua que voltará a acontecer em 2018 e 2034
(SOCIEDADE                    14.11.2016                Sónia Calheiros)

Este outono tem sido rico em luas cheias. A 16 de outubro já houve super lua, só que estava muito nublado e a aproximação não era tão grande. E já no próximo mês de dezembro, dia 14, também haverá lua cheia, mas em condições menos favoráveis do que as de hoje. “É simplesmente uma lua cheia, não são necessários instrumentos específicos, como telescópios ou binóculos, para a observar”, explica Rui Agostinho, astrofísico e diretor do Observatório Astronómico de Lisboa. O importante é que às 17 e 49 o céu esteja limpo para que a vejamos na sua plenitude. “Deve-se escolher qualquer local que tenha o horizonte límpido e baixo, situado a nascente. No meio do Oceano Atlântico seria o ideal e isso só é viável nos Açores e na Madeira.” Em Lisboa, por exemplo, o Parque das Nações junto à Torre Vasco da Gama, tem as ótimas condições.

O ideal para a observação da lua cheia é “apanhá-la” junto ao horizonte, pois o cérebro irá criar uma ilusão de ótica e torná-la ainda maior. A melhor forma de comprovar, como descreve Rui Agostinho, professor de astrofísica, é tirar duas fotografias à lua com uma máquina com zoom: uma no horizonte e outra já em alto céu. “Verão que tem o mesmo tamanho. Na realidade, a lua quando está junto ao horizonte até está ligeiramente menor do que quando sobe. É o nosso cérebro que “inventa” o tamanho, por fazer comparações com objetos, como árvores e edifícios.”

Mas porque acontece este fenómeno? Se a órbita da lua fosse uma circunferência, a lua estaria sempre à mesma distância. Mas como a órbita é elíptica, de mês para mês afasta-se e volta a aproximar-se. A este aspeto associa-se a localização da lua quando está cheia. Pode estar em qualquer ponto da órbita: ora no apogeu (ponto mais afastado), no intermédio ou no perigeu (ponto mais próximo), como aconteceu às 11 e 22 com a lua cheia a ficar a 356,509 quilómetros. Mais logo, às 17 e 49, a lua nascerá 30 por cento mais brilhante e 14 por cento maior se compararmos quando está a passar nos pontos extremos da órbita (apogeu e perigeu).

Há 68 anos, em 1948, aconteceu uma super lua muito semelhante à de hoje, daqui a dois anos irá repetir-se e a 25 de novembro de 2034 o fenómeno repete-se ainda em melhores condições.

ONDE VER
.Em Lisboa, no Parque das Nações junto à Torre Vasco da Gama
.Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra
R. do Observatório T. 239 802 370/3
Entrada livre a partir das 18 horas
.Planetário do Porto
R. das Estrelas T. 22 608 9800
Entrada livre das 19 às 21 horas

Fonte:

13/11/16

A vida é feita de nadas... (Miguel Torga)

Depois de um interregno de quase dois meses, a que “Missão Guiné-Bissau” obrigou, a horta vai-se recompondo dentro e fora das estufas. Na imagem: folhas de stevia (para secar e adoçar o chá), tomate-cereja, rama de funcho (para o salmão), sementes de funcho (para o chá ou para trincar), aipo (excelente, mas pouco consumido em Portugal) e uma romã, exibindo, vaidosa, a sua coroa de rainha. O outono em festa…

Abraço e bom domingo!
António

05/11/16

Chás para perder peso são inúteis!


Estão nos corredores de produtos saudáveis e prometem acelerar o metabolismo, acabar com os desejos alimentares, desintoxicar o corpo e ainda ajudá-lo a perder alguns quilos. Especialistas dizem que são apenas um ‘truque’ de marketing.

Chás que limpam o organismo, aceleram o metabolismo e ainda o ajudam a emagrecer, parece bom demais para ser verdade, não? Especialistas dizem que “na melhor das hipóteses, são um desperdício do seu dinheiro, e na pior, são perigosos”, disse a dietista Jessica Cording à revista Self.
A nutricionista Karen Ansel destaca que estes chás são “só um truque” e explica que “o chá contém compostos como polifenóis e cafeína”, que podem acelerar ligeiramente o metabolismo, “mas este impulso não é suficiente para ter um impacto significativo sobre o peso corporal". Se assim fosse, destaca, os seus fabricantes estariam mesmo muito ricos.
Além disso, os chamados chás de perda de peso geralmente contêm ingredientes adicionados que não têm os mesmo benefícios de promover a saúde como o chá puro e que podem não ser seguros, como vários estimulantes.
Quanto ao efeito detox que alguns chás prometem, Karen Ansel diz: “Qualquer chá que alega desintoxicar o seu sistema é pura propaganda exagerada. O seu corpo tem o seu próprio sistema de desintoxicação que funciona 24h sobre 24 horas durante sete dias por semana” - nomeadamente o fígado e os rins.
“Estes chás podem fazê-lo ir à casa de banho com mais frequência, dando-lhe a ilusão de que se está a desintoxicar.” Alguns podem até dar-lhe a ilusão de que está a perder peso, pois contêm laxantes, mas os especialistas destacam que usar laxantes não é um método inteligente de emagrecer – até porque acabará por ficar desidratado pela água, e não gordura, que perdeu.
Infusões comuns com chá verde dizem queimar gordura, enquanto alguns chás de rooibos alegam reduzir o apetite. As especialistas destacam que apesar de alguns estudos terem encontrado uma ligação entre beber chá verde e a perda de peso, não há provas muito fortes de que esta ligação seja diretamente causal. Quanto ao chá reduzir o apetite, explicam que ao providenciar fluidos sem calorias os chás – tal como a água – poderão fazer com que coma de forma mais consciente e tenha um pouco menos apetite.

29/10/16

Visita guiada ao outono na minha horta!

Depois do pecado de um pernil assado no forno, a redenção: tamarilhos e goiabas às rodelas com um pouco de doce de manga com maracujá.

Diz-se que o verão é a estação dos frutos. Será? Há pouco, na horta, apercebi-me de que tinha mais frutos disponíveis do que no pico do verão.
Nesta fotorreportagem, levo-vos a um mundo de cores, luz e promessas de sabores e texturas de fazer crescer água na boca! Tudo sem agroquímicos. Nem adubos nem pesticidas.
Bom fim de semana e aproveitam bem este outono a fingir que é verão.
Abraço.

ChefAntónio
Tanjas ao natural e marmelos para assar no forno!

Maçãs: a "francesa" e a reineta.

As uvas que ainda há...

E as romãs que começa a haver!

As exóticas: tamarilhos e goiabas.

Os tomates-cereja: espécies chucha e pera-amarelo.

As beringelas mini, com um picantezinho...

Pimentos: os verdes e os padrão (deixados amadurecer até ficarem bem vermelhos, são uma delícia!).

Finalmente, as malaguetas: excelentes em tudo, incluindo as omeletas!

26/10/16

Voluntário na Guiné 24: no reino da bagabaga!

Uma verdadeira catedral!

No artigo dedicado aos provérbios em crioulo, referi que um dos mais conhecidos tem origem nas bagabagas (é mesmo assim o plural): “Baga-baga ka ta kata iagu, ma i ta masa lama.” (A bagabaga não tem água, mas amassa o barro.)
A bagabaga é uma formiga-branca da família das térmites que marca a paisagem da Guiné-Bissau com as suas catedrais de barro cor de tijolo que podem atingir vários metros de altura. Veem-se sobretudo quando se sai de Bissau, mas também existem na capital e tentam “montar a tenda” nos locais mais improváveis.
Na floresta, entre as culturas do amendoim e do caju.

Nas imediações das palhotas.

Em Bissau, no interior do quartel da cooperação militar portuguesa!

As construções da bagabaga resistem ao vento, à chuva torrencial, a tudo!
Disseram-me que quando ferram as mandíbulas, fazem-no com tanta convicção, que não largam mais. Se forem puxadas, partem-se e a cabeça fica cravada na carne.
Contaram-se ainda que, durante a guerra colonial, eram utilizadas como abrigo. Como os projéteis não conseguiam trespassá-las, eram um colete antibala ecológico…
Nas deligências feitas para confirmar estas histórias, encontrei informações interessantes que as sustentam.
1. Veja esta passagem que encontrei num blogue de um antigo combatente português:
Fiquei cosido ao chão com o Peixoto encostado a mim e o Lourenço atingido do outro lado, apesar do risco o Ferreira de Carvalho, “o comprido”ou Vila de Rei foi lá e ajudou-me a levar o Peixoto para trás do baga-baga, onde foi assistido pelo maqueiro Carvalho, vi que tinha um pequeno orifício de entrada que quase não sangrou, sempre pensei que se safava, na altura muito embora tivesse um curso de primeiros socorros com a duração de uma semana, não tinha tempo nem os conhecimentos que tenho hoje para avaliar da gravidade de um ferimento, estava entregue aos cuidados do enfermeiro, eu naquele momento estava preocupado em sair daquela enrascada.
Do mesmo blogue, esta foto:

2. Aconteceu então, numa operação de golpe-de-mão à casa-de-mato inimiga de Biambe, o meu primeiro encontro com estas “más companhias” e quando já tinha algumas semanas de Guiné e de mato.
Dá-se uma emboscada aquando do regresso, o que já se contava e como era habitual, e então valha-nos, mais uma vez, um baga-baga.
“Entretido” aos tiros, só depois me apercebi das alfinetadas que estava a levar nas mãos e braços, e já pelas pernas acima.”Mas o que é isto?” Qual é a minha surpresa, vejo umas formigas avermelhadas a ferrarem-me por todo o lado.
Comecei a sacudi-las sem por a cabeça fora do baga-baga, isto é fora de uma eventual boa pontaria inimiga. À sacudidela elas não saíam e então, verifiquei, para desespero meu, que elas estavam encastradas na minha carne. Com o empenho que elas actuavam parecia que até faziam o pino. Só puxando-as é que elas saíam, sem que no entanto a cabeça deixasse de ficar agarrada através de uns tentáculos enterrados. Lembrei-me das abelhas - nas abelhas o abdómen fica ligado ao ferrão - nestas ficam, não um ferrão, mas umas pinças (ou cornos) com a cabeça agarrada.
Os baga-bagas eram os nossos abrigos predilectos. Ainda bem que existiam. Parecia que tinham sido feitos para aquele tipo de guerra – a guerra de guerrilha. Altos, espessos quanto baste, duros como cimento, e a espaços mais ou menos regulares. Em qualquer operação no mato, principalmente em zona laranjo/vermelha, era constante um olhar prévio em redor para ver onde havia um baga-baga que nos acudisse.
Havia zonas em que existiam mais, julgo que em terrenos mais secos. Nas bolanhas não havia. Certamente que a água das chuvas e das marés que as inundavam, não propiciavam tais obras de engenharia. (…)

3.Uma termiteira pode atingir vários metros de altura. É uma construção feita de madeira, terra, excrementos e saliva, que as próprias térmitas mastigam formando a argamassa com que estas tenazes e temidas formigas constroem estes verdadeiros castelos no ar, prolongando-se no subsolo por numerosas galerias. São tão fortes que dificilmente são destruídos mesmo com a ajuda de explosivos.

4. No reino das bagabagas, há uma rainha, mas também um rei!
In http://adbissau.adbissau.org/wp-content/uploads/2011/08/AD_Pub_Periodico_Partilha_009.pdf

Abraço!
ProfAP