03/12/16

Pràs festas: lombinhos de robalo c/ chips de batata-doce!


Para comemorar as 100 000 visitas do blogue (com Portugal, Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido no top 5), uma receita sofisticada, mas simples de confecionar. Depois dos excessos do dia 24, poderá ser uma opção interessante e pouco dispendiosa para o dia de Natal.

Lombinhos de robalo c/ chips de batata-doce e couves-de-bruxelas

Ingredientes para 4 pessoas:
.2 robalos (ou douradas)
.2 batatas-doces de tamanho médio
.250 g de couves-de-bruxelas
.1 malagueta (cortada em pedaços pequenos)
.folhas de salva (opcional)
.massa de alho
.azeite
.sal e flor de sal

Preparação:
1. Escale os robalos e separe os lombos (sem espinhas). Guarde o que sobra para uma sopa de peixe.
2. Descasque as batatas, corte-as em rodelas com 1 cm de espessura e coza-as durante 5 min. Mergulhe-as em água fria para que não continuem a cozer.
3. Coza as couves em água e sal durante 7 min (5 min se gostar delas al dente) e passe-as por água fria.
4. Aqueça azeite numa frigideira antiaderente e junte a malagueta e as folhas de salva (1 min de cada lado). Guarde-as sobre papel absorvente.
5. Na mesma frigideira, coloque os lombos e deixe-os apurar, em lume médio-alto, durante 3 min do lado da pele e 2 min do outro lado.
6. Enquanto o peixe cozinha, frite as batatas em azeite (3 min de um lado e 2 min do outro) e coloque-as sobre papel absorvente.
7. Com duas colheres sopa de azeite e uma de massa de alho, deixe as couves-de-bruxelas apurarem durante 4 a 5 min em lume médio.
8. Sirva, pondo sobre o robalo uma pitada de flor de sal e as folhas de salva e pedacinhos da malagueta frita.

Bom apetite!
ChefAntónio

02/12/16

Pràs festas: a goiabada, protagonista de… Romeu e Julieta!

Muito simples: frutos bio, açúcar amarelo e canela!

Ao contrário de outras espécies, as goiabas não amadurecem todas ao mesmo tempo, prolongando-se a produção por alguns meses. Assim, depois de uma forte chuvada ter danificado quase todos os frutos maduros que tinha na horta, foi possível uma nova colheita.
Atendendo à época, trago-vos a proposta que permite compor excelentes sobremesas (ou entradas): doce de goiaba.
Mesmo não tendo o fruto disponível no quintal ou na horta, pode comprar uma dúzia deles para fazer o doce. O sabor não tem nada a ver com o que se compra já feito. Além de não levar qualquer conservante, é confecionado com muito menos açúcar.
A goiabada, doce típico mineiro, parece ter surgido no Brasil quando os colonos portugueses recriaram a marmelada, substituindo o marmelo pela goiaba.
Tal como fazemos com a marmelada, também no Brasil existe a associação queijo-goiabada, com uma designação original e bem sugestiva: Romeu e Julieta!
Imagem encontrada AQUI.

Há dois métodos de confecionar a goiabada: sem a casca (delicada e cremosa e com um sabor mais suave) e com a casca (mais escura e espessa e com um sabor mais acentuado). Chama-se à versão com casca (a que prefiro) “goiabada cascão”. Eis um apontamento curioso sobre a origem do nome:
Reza a lenda que existem duas versões para a origem do nome Goiabada Cascão.
A primeira conta que a goiabada feita pelos cozinheiros escravos para o consumo dos proprietários das fazendas só levava a polpa da fruta e o resto, as cascas e as sementes, eram utilizadas pelos escravos que as cozinhavam juntas. A mistura pronta deixava os pedaços de casca de goiaba bem aparentes, dando origem ao famoso nome.
A segunda revela que os resquícios do papel escurecido que embalavam a goiabada em seu processo de produção, se desfaziam como uma casca mais grossa quando ela já estava seca e pronta, dando origem ao nome. O doce era colocado em caixas de madeiras forradas com papel e envoltas por papelão para evitar que vazasse.
Hoje, a goiabada cascão tradicional é feita com pedaços de goiaba ainda com casca e é colocada em caixas, só que desta vez forradas com papel plástico ou manteiga.http://www.segredosdafazenda.com.br/curiosidades.html
Obs.: O “papel manteiga” corresponde ao nosso papel vegetal.

Doce de goiaba (sem casca)
Ingredientes:
.12 goiabas
.Açúcar amarelo (metade do peso da polpa das goiabas, pesada sem pele nem sementes)
.1/2 pau de canela
.alguma paciência

Preparação:


1. Descasque as goiabas e reserve as sementes.











2. Triture as sementes com um pouco de água e peneire-as com um passador de rede.










3. Adicione o líquido de aproveitou da coagem das sementes às goiabas (cortadas às tiras) e triture muito bem.


4. Num tacho antiderente, junte à polpa liquefeita o açúcar e a canela e mexa bem.








5. Quando levantar fervura, ponha o lume no mínimo e deixe apurar, mexendo de vez em quando.
6. Deixe ferver no mínimo durante uma hora (deixei hora e meia), podendo prolongar esse tempo se quiser que a sua goiabada fique mais espessa.


7. Enquanto está quente, coloque em recipientes de vidro. Depois de arrefeceram, tape-os e guarde-os no frigorífico. Vão conservar-se em ótimas condições pelo menos durante seis meses.









Feita a goiabada, passemos a duas versões do par romântico Romeu e Julieta
Confecionada sem casca, entre duas almofadas de queijo fresco...

Com casca, perdida de amores por um queijo curado (de cabra)!

Abraço e bom apetite!
ChefAntónio

30/11/16

Omeleta de… malagueta!


A receita de hoje é o resultado da vontade de aproveitar as malaguetas suculentas que tenho tido este ano na horta. Exceto para quem tenha contraindicações específicas, o consumo de malaguetas é benéfico para a saúde. Entre outras vantagens, parece ajudar o cérebro a produzir endorfinas (que aumentam a sensação de bem-estar e o bom humor) e reduzir os níveis de insulina depois de comer, o que ajuda a prevenir a diabetes tipo 2. Por outro lado, o seu componente ativo (a capsaicina) melhora as funções cardiovasculares.
Além da capsaicina, encontramos na malagueta capsantina, betacaroteno, flavonoides e vitamina C.

A receita de hoje, além de saudável, é saborosa, económica e muito fácil de preparar. Enquanto os cominhos e a malagueta evocam o Oriente e a África, o queijo e o leite dão-lhe uma consistência cremosa irresistível!


Ingredientes para 4 pessoas:
.4 ovos
.1 malagueta fresca (sem sementes, fica mais suave) cortada em lascas finas
.2 colheres de sopa de queijo fresco (feito em puré com garfo)
.3 colheres de sopa de leite
.1 colher de chá de alecrim (fresco ou seco)
.2 colheres de sopa de azeite virgem
.1 pitada de sal e outra de cominhos em pó

Preparação:
1. Bata bem os ovos com o queijo, o leite, os cominhos e o sal.
2. Numa frigideira antiaderente, deixe o alecrim e a malagueta frigir durante minuto e meio em lume médio para aromatizar o azeite.

3. Junte os ovos e, quando começarem a ficar firmes, vá enrolando com cuidado para não partir a omeleta.
4. Retire e coloque sobre papel absorvente.
5. Sirva com uma salada. Optei por agrião com flores de capuchinha (nastúrcio).

Bom apetite!

ChefAntónio

28/11/16

Receita de inspiração africana: folhas de batata-doce estufadas!

Hoje ao almoço!

Está na época em que batata-doce de produção nacional é abundante, de grande qualidade e a um preço mais ou menos acessível.
No entanto, o seu consumo limita-se à raiz. As folhas, muito saborosas e ricas em nutrientes e fibras, desperdiçam-se ingloriamente. Como acontece noutros países africanos (e na Ásia), verifiquei na última missão de voluntariado na Guiné-Bissau que as folhas de batata-doce fazem parte da gastronomia local.
Podem ser consumidas como os espinafres e, comparadas com outras folhas verdes, são as que possuem mais fibras dietéticas e nutrientes. São muitos os benefícios: propriedades antioxidantes, vitaminas (sobretudo C e A), ferro, potássio, ácido fólico…
Os usos culinários das folhas são variados: em sopas, cozidas em água e sal, em olemetas, estufadas em azeite e alho, em saladas e até em chá (para fazer baixar os níveis de colesterol).
Não é comum encontrarem-se à venda, mas se conhecer alguém que cultive batata-doce e não use pesticidas, peça-lhe folhas. Retirar apenas algumas folhas em cada planta não a danifica.
Também pode colocar batatas em recipientes com água e consumir as folhas. Decorativo e gourmet!


 Lindas na horta, graças à abençoada chuva que tem caído!

FOLHAS DE BATATA-DOCE ESTUFADAS
1. Lave bem as folhas (15 a 20 por dose) e corte-as em tiras com a largura de um dedo.
2. Numa frigideira antiaderente, aqueça 3 colheres de sopa de azeite e uma de massa de alho.
3. Junte as folhas, polvilhe com uma pitada de sal e outra de pimenta-preta moída no momento.
4. Envolva tudo e deixe estufar em lume médio, mexendo de vez em quando.
5. Ao fim de 10 minutos estarão crocantes e prontas a comer. Se gostar delas mais macias, deixe cozinhar mais 4 a 5 minutos.
6. Sirva como entrada ou a acompanhar pratos de carne (assada, grelhada ou frita) ou peixe (liga muito bem com salmão).

Bom apetite!

ChefAntónio

25/11/16

Salva: a planta que "salva"!


Como prometido, aquando da publicação da receita com folhas de salva (“linguadinhos da horta”: AQUI), partilho hoje este excelente artigo de Berta Gonçalves, Engenheira Agrícola e da Associação Portuguesa de Horticultura (APH), que encontrei no jornal Público. São particularmente interessantes as propriedades digestivas da planta.

A planta que "salva"

Usada desde tempos imemoriais, esta planta tem diversas propriedades medicinais - "Quem salva tiver só tem mal se quiser", diz o ditado popular. Para além disso, tem valor ornamental e aplicação culinária. Toca a plantá-la no jardim.
A palavra salva deriva do latim salvia, que significa "curar", e o provérbio popular "Quem salva tiver só tem mal se quiser" demonstra bem o valor medicinal atribuído a esta planta, cuja utilização tem sido recomendada desde a antiguidade no combate a quase todas as enfermidades. De facto, apresenta efeito antimicrobiano, anti-espasmódico, anti-inflamatório e hipoglicémico. Desde tempos imemoriais que a salva é usada para afugentar o mal, para tratar mordeduras de cobra e aumentar a fertilidade feminina.
As propriedades medicinais desta planta são, portanto, várias e provêm essencialmente dos compostos fenólicos e dos óleos essenciais produzidos nas folhas. Esta planta também tem interesse na culinária, perfumaria, cosmética e como ornamental. Como planta aromática, a salva tem um sabor levemente apimentado e tem vindo a ser utilizada em todo o mundo para temperar carnes, sopas, salsichas, queijos e algumas bebidas.

A planta
A salva (Salvia officinalis L.) pertence à família das mentas, Lamiáceas, e é originária da região mediterrânica oriental. Por vezes encontra-se como subespontânea em Portugal. É um subarbusto perene, com cerca de 60cm de altura e diâmetro, com caules lenhosos, folhas acinzentadas com superfície um tanto rugosa e flores azuis a violáceas. A sua folhagem persistente é muito bonita e fortemente perfumada, revelando-se fundamental num jardim para quem quiser tirar partido das suas propriedades medicinais e culinárias. É interessante usá-la também em canteiros ou hortas, misturada com outras plantas.

Como plantar?
Escolha um local com boa exposição solar e um solo franco-arenoso, bem drenado, neutro ou alcalino para fazer a sementeira no início da Primavera. As jovens plantas surgem normalmente ao fim de duas a três semanas e a floração ocorre entre Maio e Julho. Guarde cerca de 30 a 40cm de espaçamento entre as plantas.
A estacaria também é uma opção viável durante todo o ano. Tenha, no entanto, em atenção que não se adapta tão bem ao cultivo em vasos pequenos, perecendo com facilidade. É, contudo, uma excelente escolha para jardins de baixa manutenção, uma vez que tolera bem a secura. É também bastante resistente à geada. Na horta, em associação com outras espécies, afasta uma série de pragas, entre as quais a borboleta-branca da couve.

Cuidados de manutenção
A salva precisa de ser podada ao longo do ano de forma a prevenir o envelhecimento precoce e a estimular novos rebentos. Tem tendência a degenerar com a idade, devendo, por esta razão, ser substituída no jardim ao fim de três ou quatro anos.
É de evitar o excesso de água no solo, uma vez que as suas raizes tendem a apodrecer rapidamente, levando à morte súbita da planta. Em situações de stress, torna-se sensível a pragas, como as cochonilhas, que podem ser removidas com a poda intensa da planta.
A colheita de folhas e das sumidades floridas só deverá iniciar-se no segundo ano de floração e, de preferência, no período da tarde.

Dicas
1. Use a cataplasma de folhas frescas em feridas. O gargarejo em caso de amigdalite ou laringite. Adicionalmente, bochechar água onde previamente esteve imerso um punhado de flores e folhas também é útil para curar aftas e estomatites.
2. A infusão a 5%, após a lavagem do cabelo, combate os cabelos oleosos e restaura a sua cor natural.
3. Neste Verão se por acaso tiver o infortúnio de fazer uma queimadura solar, a salva é refrescante, aliviando a sensação de ardor.
4. Por fim, use as folhas da salva em saladas, pão ou guisados. Para além da refeição ser mais saborosa, facilita bastante a digestão. Bom proveito!

23/11/16

Linguadinhos da horta!

Ó pra eles, quentinhos e prontos a comer!

O título é meu, mas a receita foi-me sugerida por um amigo internáutico brasileiro. Um petisco delicioso!
A salva (ou sálvia, como se designa no Brasil) era uma erva importante na cozinha da Idade Média, sobretudo no tempero da carne de aves e porco. O seu cultivo traz uma vantagem adicional: plantada (ou semeada) junto às hortaliças, afasta as borboletas, evitando que deixem os ovos (futuras lagartas) nas folhas.
Amanhã, publicarei aqui um interessante artigo sobre a planta que encontrei no Público.
Passemos, sem mais demora, à receita.

Ingredientes:
.Folhas de salva frescas (6 a 8 por pessoa)
.Azeite
.Polme : juntar farinha (c/ fermento), um ovo, água, cominhos em pó e pimenta-preta e misturar muito bem. Sendo necessário, junte mais água até obter um preparado com uma consistência semelhante à maionese)

As folhas na horta, lindas!

Preparação:
1. Coloque o azeite numa frigideira antiaderente e deixe aquecer.
2. Mergulhe as folhas no polme e leve-as a fritar cerca de um minuto de cada lado.
3. Retire-as do azeite e coloque sobre papel absorvente e salpique com uma minipitada de sal.
4. Servir de imediato, para que não arrefeçam.
Nota: Com um arroz de cogumelos e coentros, pode ser um jantar vegetariano diferente.
Bom apetite!


ChefAntónio

14/11/16

Guia para ver a superlua de hoje!

Guia para ver a Superlua de hoje
O astrofísico e diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, Rui Agostinho, explica o fenómeno da Superlua que voltará a acontecer em 2018 e 2034
(SOCIEDADE                    14.11.2016                Sónia Calheiros)

Este outono tem sido rico em luas cheias. A 16 de outubro já houve super lua, só que estava muito nublado e a aproximação não era tão grande. E já no próximo mês de dezembro, dia 14, também haverá lua cheia, mas em condições menos favoráveis do que as de hoje. “É simplesmente uma lua cheia, não são necessários instrumentos específicos, como telescópios ou binóculos, para a observar”, explica Rui Agostinho, astrofísico e diretor do Observatório Astronómico de Lisboa. O importante é que às 17 e 49 o céu esteja limpo para que a vejamos na sua plenitude. “Deve-se escolher qualquer local que tenha o horizonte límpido e baixo, situado a nascente. No meio do Oceano Atlântico seria o ideal e isso só é viável nos Açores e na Madeira.” Em Lisboa, por exemplo, o Parque das Nações junto à Torre Vasco da Gama, tem as ótimas condições.

O ideal para a observação da lua cheia é “apanhá-la” junto ao horizonte, pois o cérebro irá criar uma ilusão de ótica e torná-la ainda maior. A melhor forma de comprovar, como descreve Rui Agostinho, professor de astrofísica, é tirar duas fotografias à lua com uma máquina com zoom: uma no horizonte e outra já em alto céu. “Verão que tem o mesmo tamanho. Na realidade, a lua quando está junto ao horizonte até está ligeiramente menor do que quando sobe. É o nosso cérebro que “inventa” o tamanho, por fazer comparações com objetos, como árvores e edifícios.”

Mas porque acontece este fenómeno? Se a órbita da lua fosse uma circunferência, a lua estaria sempre à mesma distância. Mas como a órbita é elíptica, de mês para mês afasta-se e volta a aproximar-se. A este aspeto associa-se a localização da lua quando está cheia. Pode estar em qualquer ponto da órbita: ora no apogeu (ponto mais afastado), no intermédio ou no perigeu (ponto mais próximo), como aconteceu às 11 e 22 com a lua cheia a ficar a 356,509 quilómetros. Mais logo, às 17 e 49, a lua nascerá 30 por cento mais brilhante e 14 por cento maior se compararmos quando está a passar nos pontos extremos da órbita (apogeu e perigeu).

Há 68 anos, em 1948, aconteceu uma super lua muito semelhante à de hoje, daqui a dois anos irá repetir-se e a 25 de novembro de 2034 o fenómeno repete-se ainda em melhores condições.

ONDE VER
.Em Lisboa, no Parque das Nações junto à Torre Vasco da Gama
.Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra
R. do Observatório T. 239 802 370/3
Entrada livre a partir das 18 horas
.Planetário do Porto
R. das Estrelas T. 22 608 9800
Entrada livre das 19 às 21 horas

Fonte: