17/09/17

De volta a Bissau 4!

Apanhado em flagrante...

Correspondendo a um convite, desloquei-me hoje a Quinhamel, a uma hora de distância de Bissau. O programa até era simpático: um banho na piscina do restaurante para abrir o apetite e recuperar do calor abafado, ostras assadas no forno (prato típico desta região) a abrir, seguindo-se-lhe uma bica grelhada (um dos peixes mais saborosos da Guiné) e uma fruta tropical a encerrar o repasto. Muita conversa pelo meio e novo banho antes de voltar o Bissau.
Pois é, planos perfeitos, nem na defunta “pedagogia por objetivos”…
Até começámos bem: amendoins torrados com uma cerveja. Depois de uma longa espera, veio o peixe para a mesa (nada de especial). Quanto a ostras, viste-las, pois o empregado esqueceu-se de as pôr no forno. Frutas tropicais? Viste-las, pois só havia maçãs importadas. E o banho? Viste-lo, pois o uso da piscina tinha passado a ser pago. 5000 francos CFA (quase 8 €), uma fortuna para estas latitudes.
Houve alguma frustração no grupo... 
Para mim, a vista do rio com as pirogas a deslizar junto à outra margem, sob o olhar atento do mangal, as cabaceiras a exibirem ostensivamente os seus os frutos e a cena de um tecelão a construir o ninho encheu-me a alma e fizeram valer a pena cada quilómetro percorrido. 

Embondeiro (a que aqui chamam cabaceira). Depois de seco, o interior do fruto é posto de molho e espremido, dando origem a uma das bebidas mais populares na Guiné: sumo de cabaceira.

A cena é digna do National Geographic. O tecelão macho recolhe materiais (neste caso, tiras que desfia da folha da palmeira) e, com a paciência de um artesão, tece o ninho. Mais tarde, virá uma fêmea apreciar a obra. Se aprovar, o casalinho selará a união. Se não aprovar, nada feito. Ele desfará o ninho e recomecerá a construí-lo...


A cena é digna do National Geographic: o tecelão macho recolhe materiais (neste caso, tiras que desfia da folha da palmeira) e, com a paciência de um artesão, tece o ninho. Mais tarde, virá uma fêmea inspecionar a obra. Se aprovar, o casalinho selará a união. Se não, nada feito. Aí, desfará o ninho e recomeçará a construí-lo as vezes que forem que forem necessárias. Sob pena de ficar para tio.


bica e o não banho já são passado, mas as imagens e vídeo que partilho convosco estarão em exibição contínua no ecrã da memória! Que mais se pode pedir?

Abrasus.
António

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