18/02/18

Caril de tremoços c/ arroz de cravinho!


Fonte de proteínas, fibras e minerais, depois do hambúrguer (AQUI), aí está o tremoço de novo em destaque! A proposta de hoje é uma refeição 100% vegetariana, rica, económica e muito saborosa.
Nota prévia: Os tremoços foram postos de molho no frigorífico. No dia seguinte, foram descascados e cozidos na panela de pressão durante 25 minutos para ficarem bem macios.
Ingrediente para 4 doses:
.400 g de tremoços
.2 colheres de sopa bem cheias de caril
.4 colheres de sopa de leite coco
.1 cebola média picadinha
.3 dentes de alho (também picados)
.4 colheres sopa de óleo vegetal (usei de coco) ou azeite
.1 colher de chá de gengibre fresco picado (opcional)
.1 malagueta picada (sem as sementes)
.1 ramo de coentros
.1 lima (raspa e sumo)
.sal
Para o arroz: .200 g de arroz / .2 vezes e meia o volume do arroz / .2 cravinhos /.sal / .2 colheres de sopa de azeite (ou óleo)

Preparação:
1. Aqueça o azeite (ou óleo), junte a cebola, os alhos, a malagueta e o gengibre e deixe estufar em lume médio.
2. Acrescente o leite de coco, os tremoços, o cari, uma pitada de sal e envolva tudo.
3. Deixe cozinhar durante 5 minutos em lume baixo.
4. Junte a raspa e o sumo da lima e os coentros picados, mexa bem.
5. Passados 3 minutos, está pronto.
6. Sem demoras, sirva com o arroz e uma salada mista de alface e rúcula.
7. A acompanhar, uma cerveja bem fresca! Se se quiser portar bem, opte pela laranjada de gengibre (AQUI)
O arroz é muito fácil de fazer: Deixe o arroz fritar 30 segundos no azeite (assim fica mais solto no final), junte a água (a ferver), os cravinhos e uma pitada de sal. Deixe ferver em lume baixo até o arroz estar quase cozido (10 a 12 minutos). Desligue e deixe repousar 5 minutos com o tacho tapado.

Bon appétit!
ChefAntónio

12/02/18

Bebidas alternativas: laranjada de gengibre!

Cor natural, sem corantes nem conservantes...


Esta bebida é uma adaptação de uma receita apresentada por Jamie Oliver no 24Kitchen. Ingredientes naturais, excelente sabor, confeção muito fácil.

Ingredientes:
.2 laranjas médias
.2 limas (ou 1 limão)
.40 g de gengibre em fatias finas
.1 colher de sopa de mel (não estava na receita original)
.1,5 l de água
Preparação:
1. Num tacho, coloque a casca (sem a parte branca) de uma laranja, o sumo das duas, as limas (com casca) cortadas em rodelas finas, o gengibre e o mel.
2. Deite sobre os ingredientes a água a ferver e deixe infundir durante 20 minutos.
3. Coe e guarde em garrafas de vidro.
4. Sirva frio ou à temperatura ambiente.
Nota: Hoje, ao jantar, esta bebida ligou na perfeição bem com uns hambúrgueres de grão-de-bico com especiarias, cuja receita, saborosa e simples, publicarei em breve.

Abraço e boa semana com comida saborosa e saudável!
ChefAP

Pequenas coisas da vida: vinho moscatel!

A luz do sol: do Douro para um cálice...

“Aromas delicados, com notas de mel e laranja. Cor dourada, fresco e elegante. Um óptimo aperitivo para acompanhar uma boa conversa, em boa companhia. Deve servir-se fresco.” 
(Descrição numa garrafa de moscatel.)

Eis a prova que a linguagem pode, definitivamente, valorizar a realidade. Neste caso, um vinho moscatel. FAVILLA é uma marca que desconhecia e que encontrei em promoção no Pingo Doce.
Embora fã incondicional dos moscatéis de Azeitão (ditos de Setúbal), este moscatel tem uma doçura suave e reconfortante. Imaginei as uvas a encheram-se de sol e a refinarem os aromas nas encostas do Douro com os olhos postos no rio…
Um pormenor: dizem os especialistas que o moscatel deve ser servido à temperatura ambiente (sem casquinha de limão nem gelo) e não fresco. Só assim se pode apreciar a complexidade de sabores e aromas deste néctar feito a partir de uma variedade de uva que nos foi trazida pelos Romanos (que a foram buscar à Grécia).
Beba com moderação e viva a vida com intensidade!
Abraço.
ChefAP

10/02/18

A mosca Zuzu!


A mosca Zuzu

Era uma vez uma mosca varejeira muito bonita chamada Zuzu que tinha umas lindas asas transparentes e uns grandes olhos que viam em todas as direções.

Andava sempre a voar, pois adorava ver o mundo lá de cima e descobrir coisas boas para comer e ideias para brincar e divertir-se muito.
Quando tinha fome, aproveitava todas as oportunidades para enfiar a sua pequena tromba numa carne apetitosa ou num peixinho acabado de pescar. O problema é que, como queria o melhor o para os seus filhos, punha ovos nos petiscos que ficavam estragados. Por isso, as pessoas não gostavam dela e perseguiam-na com mata-moscas e inseticidas.
Um dia, encontrou uma cadela chamada Fofinha e ficaram muito amigas.
Com a Zuzu pousada na cabeça, a Fofinha corria na praia junto ao mar até ficar cansada. A mosca adorava sentir o ar fresco nas asas e nos pelos das suas seis patinhas. Depois, encostadinhas uma à outra, dormiam e sonhavam com novas brincadeiras.
E viveram felizes para sempre.
António Pereira
Ilustrações retiradas de um banco de imagens livres de direitos (www.dreamstime.com).

06/02/18

Sai um hambúrguer de tremoço!

Há dias, numa pesquisa sobre hambúrgueres vegetais, o motor de busca levou-me ao blogue brasileiro greenme.com.br, onde encontrei uma rubrica dedicada ao assunto. A surpresa (e curiosidade!) perante a ideia de um hambúrguer de tremoço, levou-me a testar a receita (com ligeiros ajustamentos).
O resultado é muito saboroso (a improvável associação com as sementes de erva-doce resulta em cheio!), com a vantagem de os tremoços (já muito populares entre os Romanos) serem nutritivos e pouco calóricos.

INGREDIENTES para 5 hambúrgueres:

.350 gramas de tremoços descascados
.1 cebola pequena
.azeite (2 colheres de sopa)
.água (12 colheres de sopa)
.sementes de erva-doce (1 colher de chá)
.flocos de aveia (1 colher de sopa)
.pão ralado
.salsa picada
.pimenta-preta moída no momento
.cominhos em pó (1 colher de café)
Nota: Não junte sal, pois o que os tremoços têm já é suficiente.

PREPARAÇÃO:
1. Descasque a cebola, pique-a e estufe-a num colher de azeite durante 2 minutos em lume médio e reserve.
2. Num liquidificador, triture os tremoços com uma colher de sopa de azeite e a água até ter uma mistura macia homogénea.
3. Coloque o preparado num recipiente, junte a cebola, a pimenta, os cominhos e a erva-doce e a salsa e misture tudo muito bem com uma colher. Se estiver muito húmido, junte um pouco de pão ralado. Se não estiver suficientemente húmido para moldar, acrescente um pouco de água.
4. Forme bolas e espalme-as em forma de hambúrguer.

5. Pincele os hambúrgueres com azeite, polvilhe-os pão ralado e deixe-os cozinhar sem usar gordura numa frigideira (usei uma crepeira) antiaderente.

6. Deixe apurar durante 5 minutos em lume médio.
7. Vire com cuidado, pois o hambúrguer é frágil, conte mais 5 minutos e sirva com imaginação.
8. Cá em casa, acompanhámos com grelos cozidos e migas de batata à alentejana (batata cozida e esmagada em puré, passado em azeite com alho e enrolada em forma de lombinho).

Bom apetite!
ChefAntónio

NOTA INFORMATIVA SOBRE OS TREMOÇOS:
Com ou sem a imperial, os tremoços são o petisco ideal quando chega o calor. Contêm pouca gordura e são ricos em proteínas e fibra. Mas o teor em sal é também elevado.
Da família do grão e feijão, o tremoço existe há vários séculos na Europa. Foi muito popular entre os Romanos e pensa-se que terá sido difundido durante a expansão do império. Hoje, é considerado um petisco em países de cultura mediterrânica, como Portugal, Espanha e Itália. (…)
Nutritivos e pouco calóricos
Por cada 100 gramas desta leguminosa cozida e sem casca, obtém 15,4 g de proteínas e 9,4 g de fibra. Pelo contrário, não corre o risco de abusar da gordura, pois contém 1,1 gramas. Além disso, a gordura presente é sobretudo insaturada, menos prejudicial para a saúde. Os tremoços contêm ainda sais minerais, como cálcio, potássio e, em menor escala, ferro. Para quem come a casca, o valor nutricional é semelhante, mas com um pouco mais de fibra.
Atenção ao teor em sal
Só o teor em sal é problemático. Cada 100 gramas contêm 3,9 gramas. Assim, basta uma pequena dose sem casca (30 gramas) para ingerir um quinto da dose máxima diária recomendada de sal (5 gramas). Um truque para contornar o problema: passe os tremoços por água corrente ou demolhe durante alguns segundos.
O tremoço é comercializado a granel ou embalado e custa entre € 1,86 a € 8,06 por quilo. No geral, poupa se optar por embalagens grandes. O calibre também faz variar o preço. O tremoço maior é mais caro por quilo do que o de calibre inferior.
Opte por embalagens guardadas em local fresco e ao abrigo da luz solar. Se escolher embalagens em vácuo, certifique-se de que estão intactas. Depois de furadas, o ar entra e a conservação fica comprometida. Guarde os tremoços no frigorífico, imersos no líquido de conserva ou em água com sal. Consuma, no máximo, em 5 dias.

Fonte: https://www.deco.proteste.pt/alimentacao/produtos-alimentares/dicas/tremocos-nutritivos-e-pouco-caloricos (07 abril 2017)

28/01/18

Arroz de grão-de-bico c/ cenoura ralada!


Além de ter vitaminas, fibras, cálcio e magnésio, o grão-de-bico é um dos alimentos vegetarianos mais ricos em proteína (16 g por 200 g). Logo, esta receita pode ser um acompanhamento (de peixe frito, de carne assada ou frita, ovos mexidos ou estrelados, carnes frias...), mas também pode ser servida como refeição única, com a vantagem de ser económica, rápida e saciante. A cenoura ralada, aliada aos cominhos, dá-lhe um sabor muito interessante.

INGREDIENTES
.1 chávena de arroz (cerca de 200 g)
.1 chávena de grão-de-bico em lata
.1 cenoura média ralada finamente
.1 cebola média picada
.3 dentes de alho esmagados em puré
.3 colheres de sopa azeite
.2 chávenas de água
.1 chávena do líquido da lata do grão
.coentros picados
.sal, cominhos e pimenta-preta moída no momento

PREPARAÇÃO
1. Num tacho antiaderente, em lume médio, deixe os alhos e a cebola apurarem no azeite durante 2 minutos, mexendo de vez em quando.
2. Junte a água, o líquido da lata do grão, a cenoura e deixe levantar fervura.
3. Acrescente o grão, o sal (pouco), os cominhos e a pimenta e o arroz.
4. Quando recomeçar a ferver, deixe ficar 10 minutos em lume baixo.
5. Retifique os temperos e assim que o arroz estiver macio (mais cerca de 5 minutos), junte os coentros, envolva bem e desligue o lume.
6. Tape o tacho, deixe repousar 3 a 4 minutos e sirva. Pode acompanhar com salada de alface e rúcula ou espinafres (ou grelos) salteados. Voilà!

Abraço e bom apetite!
ChefAntónio

18/01/18

Guiné-Bissau: crenças, superstições… e cabras!

De um prado qualquer para o tejadilho de uma candonga à distância de um par de estaladas...

Sendo a população predominantemente animista (55%, contra 40% de islâmicos e 5% de cristãos), não surpreende que o sobrenatural se assuma com uma verdadeira instituição na Guiné-Bissau, como acontece em relação às florestas (espaço sagrado para muitos). Ver a notícia transcrita no final do post.
Na Guiné, são utilizados como meios de transporte urbanos (em Bissau), os táxis (sempre partilhados) e os toca-toca (termo que o crioulo foi buscar ao toka-toka do Senegal), uma espécie de pequeno autocarro com dois bancos laterais corridos onde cabe sempre mais um.
Toca-toca no centro de Bissau.

Nos trajetos entre localidades, entram em ação as candongas (termo do quimbundo), transporte misto de pessoas e mercadorias e também de animais.
Contou-me um professor guineense que quando alguém se desloca com uma cabra, antes de iniciar a viagem dá um par de estaladas no focinho do animal, o que funcionaria como uma espécie de amuleto contra os maus espíritos…

Abraço.
ProfAP

Notícia do Correio da Manhã (14.02.16):

Diabos engarrafados e outros seres míticos em defesa das florestas da Guiné-Bissau

Um homem que um dia acampou numa floresta sagrada do Boé, leste da Guiné-Bissau, levou sem querer, fechado numa garrafa, um pequeno diabo de volta para casa, conta-se nas aldeias guineenses. Foram tantos os infortúnios que lhe aconteceram a ele e a quem o rodeava que todos tiveram que se mudar para outras terras, para bem longe daquela espécie de demónio. Superstições como esta ainda são contadas com frequência para preservar as florestas que a população classifica como sagradas, um saber ancestral que uma Organização não-governamental (ONF) holandesa quer preservar. Estas histórias estão em risco de desaparecer, alerta Annemarie Goedmakers, dirigente da Chimbo, que lhes pretende dar um novo fôlego.